quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dilema

O nome do blog é auto-explicativo e, como já comentei, traduz minha vontade de divulgar, mesmo que apenas para amigos, o que é ser um cientista político.
Por isso, faço referências a momentos do meu cotidiano tentando agregar alguma teoria política.
Estou numa fase que guarda alguma analogia com o "dilema eleitoral socialista".

Adam Przeworski (como pronunciua isso mesmo?) relata como alguns socialistas pensaram que poderiam entrar no jogo democrático estabelecido pela sociedade burguesa e através dele conquistar o poder. A maioria, eles já tinham (operários). Assim, apenas uma organização destes seria suficiente para obter a vitória nas urnas. No entanto, com a constante diminuição do número de membros desta classe, os quais se tornavam mais identificados com a classe média, surge o dilema. Ou se manteria o ideal de um partido de classe, fadado a sucessivas derrotas eleitorais, ou se diluiria o caráter de classe do partido associando-se a outros, o que potencialmente resultaria em uma vitória nas urnas. Denominando-se social-democrata, o partido não conseguiu uma vitória eleitoral. Por motivos que não importam aqui, os social-democratas não conseguem por via eleitoral o êxito na implementação dos princípios socialistas na sociedade.
O ponto aqui é o dilema em si. Óbvio que vêm à cabeça o emblemático exemplo das eleições do Lula pré e pós Duda Mendonça. Contudo, pretendo discorrer mais especificamente sobre o dilema de ser um cientista político. De um lado, está o trabalho óbvio: estudar, pesquisar. De outro, participar diretamente do processo político, seja em um cargo eletivo, seja como assessor ou mesmo marqueteiro.

Citando um professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology):
One common misconception is that graduate work in political science is the first step toward influencing public policy in the United States or in another country. In general, people who want to change the world end up unhappy in doctoral programs and in academia more broadly. Political science, as currently conceived and taught in the United States, is mainly about understanding the world rather than changing it. Those who are content and successful in academia are generally motivated by a desire to solve particular conceptual and analytical puzzles, not by a desire to influence how the government operates. In this sense, a doctoral degree in political science is quite different from, say, a Masters degree or even a PhD in public policy. Those who are interested in the latter (i.e., public policy) are generally disenchanted with the former (i.e., political science).

Em outras palavras, quem faz ciência política não teria muito poder de mudar diretamente o status quo institucional. Parece um pouco frustrante para os mais idealistas, os mais influenciados pelo "dilema". Apenas entender o que acontece não vai ajudar muito a mudar a sociedade, então, será que devo me inserir no sistema? Ou ainda, me aproveitar do sistema para viver "da política" e não "para a política" como bem diferencia Max Weber em "A Política como Vocação".
A carreira acadêmica exige sacrifícios, dedicação, e muitas vezes pouco retorno (não apenas financeiro). Há que se pesar custos e benefícios (que muitas vezes são mais subjetivos do que objetivos).

Nenhum comentário: